terça-feira, 5 de agosto de 2014

Ser Um

Ó pássaro, que sobrevoa esta cabeça
Deixe-me em paz! Vê se me esqueça!
Não vês que estou saturado em demasia?
Foge daqui e me deixa sentir mais alegria

Tal qual a Ave Fênix, tu ressurge das cinzas
Até parece que qualquer desespero deva ser
O combustível suficiente pra te erguer

Atravessam-me o som dos metais, estridentes
Maior do que qualquer som desses já existentes
E, como um sussurro, o som delicado das cordas
Torna-me mais um dentre toda essa horda

Das mais loucas almas, tu apenas visa
Essa pobre e enfraquecida, que suplica
Saia! Já lhe disse: aqui ninguém fica!

Deixe tal indivíduo se separar
De todo e qualquer senso comum
Que tente, por acaso, lhe separar
Da vontade de, entre todos, ser um

Alma, Calma

Poucas cores, pouco som
Ao caminhar leve
Ninguém sabe ainda
Que ninguém está aqui

Melodia fora do tom
Pés enfiados na neve
A Aurora pode ser tão linda
Mas a vida não cai em si

Escolher ser da massa
Relaxe, a dor passa
A impressão fica nas mãos
E a consciência é para os sãos

Poucas cores, pouco som
Melodia fora do tom
Ao caminhar leve
Dos pés sobre a neve

Ninguém sabe ainda
Que ninguém está aqui
A Aurora pode ser tão linda
Mas a vida não cai em si

Se o destino é pré-escrito
Sobre as famosas linhas tortas
Tanto faz, se Deus é mito
Tudo isso não me importa

Cair em si, estar são e salvo
É importante alcançar calma
Deixar de ser seu próprio alvo

Sentir bem clara a sua alma

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Persistências...

Não posso dar o braço a torcer
Senão como vou trabalhar
Senão, como lutar e não morrer

Pois cada mentira que passa
É o voo de uma borboleta
Do outro lado do mundo
Causa furacão e desgraça

Às vezes a insônia vem que vem
É tudo causa e consequência
A consciência atropelada por um trem

Mas se a minha voz engasga
É porque minha mente gira
E porque meu peito se rasga

Não ache que já fui vencido
A guerra apenas começou
E eu apenas fui ferido

Se eu cair num poço fundo
Serão capazes de me ouvir
E me trazer de volta ao mundo?

É só estender a corda
E eu me penduro na hora
Espere-me na borda

Horizonte Vazio

Vamos ouvir a nós mesmos
E falar para os demais
Pois tanto poder condensado
É capaz de explodir a alma...

O agora já já vai passar
Saiba que não dá pra voltar
A força de uma escuridão
A ponto de nos dominar

O peito sequer se abre
A cabeça sequer quer pensar
Os pés doem por caminhar
O corpo cansa de trabalhar

Quem sabe se alguém fizesse um milagre
E gritasse ao ouvido de um surdo
Impedir que o vinho virasse vinagre

Um coração esburacado
Pessoas dançam em você
Por que martirizá-lo, pobre herói
Se você só queria viver?

Ainda haveremos de entender
Porque pagar tão caro
Pelos erros cometidos, talvez
Por tentar acertar de vez

Correr atrás de nossa fé
Não deve significar
Que sairemos por aí
Correndo sem se importar

Quem sabe se alguém fizesse um milagre
E gritasse ao ouvido de um surdo
Impedir que o vinho virasse vinagre

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Existem Caminhos

Que a vida seja para sempre em ciclos curtos,
E os ventos levem nossa frágil empolgação
Embora as asas de cera sejam belas e gigantes
Uma hora os raios do sol as derreterão

Não é verdade que a dor sufoca o peito,
E que o amor de hoje em dia não tem efeito?
Palavras belas para enfeitar a boca
E pra enganar a nossa mente, fria e oca.

Talvez exista em algum ponto a esperança
De conseguir oxigênio num planeta distante
Para talhar em pedra dura o seu altar
Para viver de oração pura e constante

Viver longe! Eis o lema a se seguir!
No azul escuro vive o frágil sentimento
Num filme onírico que passa em seus olhos
De paisagens vívidas em pensamento

Faz-se necessária a resistência a esse câncer
Que, pouco a pouco consome esta pobre alma
Vai caminhando em seu inferno pessoal
E o fogo alto a consumir toda a sua calma

Mas é preciso encontrar o purgatório
Talvez um dia se livrar de seus pecados
A luz no fim do túnel é só o fim
Para encontrar-se consigo, enfim!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Celeritas Luminis

Ela flertava com a morte
Mas tinha a vida em suas mãos
Acreditava em sua sorte
E seu destino corria em vão

Não precisava de palpite
Mas o horóscopo era seu mapa
Sabia do seu conteúdo
Mas se julgava pela capa

Sonhava os sonhos com pesar
Sorria p'ra realidade
Zombava até de suas crenças
Mas nem sequer via maldade

Durante o dia amou demais
E, à noite, amou um novo amor
Mostrava brilho, mas jamais
Assumiria o seu torpor

Correu tão rápido, nem tropeçou
Mas nem ao menos se deu conta
De quem se move tão depressa
Ao fim, mais rápido, desponta